Se este país fosse justo, haveria muita coisa, certamente, que deixaria muito rapidamente de acontecer. Se este país fosse justo, senhores como o Lisandro Lopez (Qual Diego M, qual quê!), ficavam no camarote nos próximos dois ou três jogos, só para perceber bem o meio onde está. Acho que, volta e meia, estes senhores, ditos futebolistas, têm uma espécie de conflito interior, roçando mesmo o carácter imaginário, achando-se então actores de categoria B, num daqueles filmes de muito baixo orçamento e história muito reles. Se este país fosse justo, o nosso querido Primeiro-Ministro estaria mais vezes calado e andavamos todos muito mais felizes. Se este país fosse justo, 80% da população lisboeta era interditada de circular na rotunda do Marquês, acabando então com aquela selva que por ali vai, evitando mortos, amolgadelas, más disposições e hemorragias cerebrais. Se este país fosse justo, andavamos todos muito bem da vida, esquecendo que há 10 anos que estamos em crise, assumindo então uma nova monotonia, mas um bocadinho melhor. Se este país fosse justo, certos filmes seriam proíbidos de entrar em exibição e o senhor de apelido claro, iria produzir para uma pequenina cela, numa cama de pedra e algo mais numa onda de Shawshank Redemption, se assim o aprovesse. Se este país fosse justo, não andariam por aí Cifrões a cantar, contribuindo apenas para a deterioração do canal auditivo e qualquer amostra de cultura ou bom gosto. Da mesma maneira que algumas meninas eram proíbidas de andar na rua, ou pelo menos sem estarem completamente tapadas, para não distrair os devotos maridos ou aplicados trabalhadores. Ou mesmo só para não ficar a imaginar no que seria, consciente, no entanto, que é uma long shot, com grande probabilidade de falhar no alvo. Se este país fosse justo, eu não estava enfiado num escritório, a escrever para meia dúzia de perdidos, sobre rigorosamente nada, com um dia destes lá fora. Mas como diria o nosso amigo Rick, we'll always have Paris.
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