quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As ruas de Lisboa

Estava no meu caminho para casa e senti-me um bocado perdido e eventualmente algo confuso. Vinha da casa de um amigo meu em Birre (I wonder where this came from) e entrei em Lisboa pelo túnel, no Marquês de Pombal. O que faz sentido, as portas da cidade serem guardadas por um dos nossos. Subi a Avenida Fontes Pereira de Mello, onde o mesmo se ria com tamanhas condições, passei ali pela Praça Duque de Saldanha (que pelos vistos tem o nome só porque sim) e segui pela Avenida da Nossa República.

Até aqui tudo bem, senti-me em casa e as coisas até faziam sentido. More or less. O problema é que continuei a andar e eventualmente virei ali à direita, em direcção ao Técnico. Conduzi um bocadinho pelo meio daquele labirinto e percebi que aqueles objectos não eram estátuas, mas sim mulheres. E da má vida. E que aquilo não era um labirinto, mas sim qualquer sítio de pior nome e cujo lugar será em muitos lugares, mas não neste texto. Eventualmente cheguei a uma zona com mais luz e percebi que estava na Praça de Londres. E foi aí que a confusão começou. “Bom, tudo bem”, pensei eu para mim. Mas passados alguns 200m virei à direita e entrei na avenida de Paris. E a coisa aí azedou. Então mas eu estava na má vida (salvo seja!), passei por Londres e ainda dei um saltinho a Paris? Só faltava Madrid, mas parece que essa era um bocadinho mais para baixo. Feitas as contas, dois por dois e continuo no meu caminho para casa, antes de deixar o Zé Toupeira. Esse, calculo que tenha sido o próprio a inventadar. Ninguém no seu perfeito juízo mental o apelidaria assim. Bom, fui por baixo da Avenida João XXI (o que fazia sentido para uma toupeira), segui pela Avenida de Berna, que da última vez era na Suiça, e cheguei à Praça de Espanha. Pareceu-me algo complicado e ia jurar que tive na mesma Praça de Espanha há pouco tempo em Madrid. Mas parece que não. Not today. Deixei o pendura em casa e nessa zona, só o nome tem outro brilho: Benfica. E animam-se as hostes. De volta a casa, apanho a 2.ª Circular (parece que ninguém sabe muito bem onde fica a 1.ª) e atravesso o Campo Grande, que ao que consta, nunca o conheceram por Avenida e por Rua, ainda menos!

Posto isto, finalmente em casa, essa uma bem Lusitana. Faça-se de mal, o menos e o que é facto é que algo, quem sabe apenas a moral, está Back in Town. Mas desta vez, cá. Venham mais.


P.S. Para chegar a Lisboa apanhei a A5, pelo que sei números e letras ainda são universais. E já agora, dava jeito tomarmos uma atitude e fazer o mesmo que o próprio Marquês de Pombal: pôr um ou outro a andar.

An image is worth more than a thousand words.


F.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Love takes off masks that we fear we cannot live without and know we cannot live within."

James A. Baldwin

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pegar na caneta outra vez.

Há coisas que eu hoje em dia, ainda me custa um bocado a perceber. O nome desde blog é uma delas. Isto porque Diários da "Nossa" Paixão me parece um pouco, se não muito, homosexual. Mas também não vale a pena perder muito tempo com isso.
Para quem não tem tido oportunidade, por esta ou por aquela razão (porque podia perfeitamente ter sido por outra), ficam desde já a saber que têm estado uns dias de praia fantásticos, dignos de um Julho, um Agosto ou até mesmo um menos importante Setembro. Diria mesmo que Outubro é o novo Agosto. Mas melhor. (Espero que os senhores do Meu Querido Mês de Agosto não se ponham com ideias, que eu também cá ando e não faço por menos) Ora senão: durante o dia, máximas a rondar os 30º, algo atípico para um suposto pré-Outono. Mínimas de 20º à noite, sempre simpático para jovens casais, grupos de amigos ou almas solitárias irem dar uma volta (ou duas, como seria o caso dos meus amigos XM). As praias têm meia-dúzia de pessoas, o que é sempre bom de saber. Para mim, pelo menos, que vou à praia não para fazer de emplastro social, mas para, efectivamente, aproveitar o que ela tem de melhor. O próprio trânsito está mais suportável, embora os condutores sejam os mesmos e, inevitavelmente, dotes de condução: zero. E o pior é que não consigo perceber muito bem se as pessoas não sabem mesmo ou se não querem mesmo é saber. Qual das duas, a pior.

Mas deixando o trânsito e suas complicações para quem deve, gostava de realçar algo que tenho vindo a notar, já no ramo da música. É impressionante a força que o Electro está a ganhar nesta nossa capital. É algo que tem vindo a "apoderar-se" nos últimos tempos, mas ultimamente tem ganho ainda mais posição num mercado dominado por um pobre e sem interesse comercial. O problema do Electro, na minha opinião, é que não dá para agradar a todos. É um estilo que é muito sensorial e por essa mesma razão consigo perceber o porquê de tantos gostarem e de gostarem tanto. Ontem fui a um bar, de seu nome Mini-Mercado, e estavam lá dois DJ's especializados em Electro. E sendo que já estive em algumas noites dessas, tenho notado um público diferente. Já abrange um leque social diferente e que se começa a ver puxado para estes meios. E fosse eu um bocadinho mais ingénuo ou optimista, diria que estão a tentar educar-se a nível músical. Que estão a tentar conhecer mais, ouvir mais e perceber mais. Diria até que começam a gostar daquilo e que começam a fazer destas noites um hábito. O problema é que eu conheço a minha cidade e as pessoas movem-se por modas. E estas pessoas que eu ultimamente vejo por lá, vão lá por moda e tenho até uma suspeita de que nem sequer gostam daquilo. Mas a sociedade é mesmo assim. E quanto a isso, não há muito a fazer. O que as pessoas às vezes se esquecem e citando um líder nato: "We may have all come on different ships, but we're in the same boat now."

"Elogio dos homens"

Estou a um dia de ir de férias e estava no meu sofá a almoçar e a ler a Maxmen de Julho 2009 (Edição 100). Logo no início começo a ler um artigo da Margarida Rebelo Pinto que, pelo título, me pareceu logo apelativo, afinal de contas, sabe sempre bem receber um elogio de uma mulher inteligente. O facto de ser bonita acaba por ser um complemento naquilo que e´, para mim, um atributo essencial numa mulher: a inteligência.
O inicio do artigo deu-me uma ligeira sensação de Dejá Vu, ainda há coisa de uma semana tinha tido uma conversa sobre o tema com uma amiga. E embora tenha começado de uma maneira bem agradável, comecei a sentir alguma coisa atravessada a meio do artigo. Não deixo de sentir uma certa ironia ao longo do texto e eis a minha opinião:
Parece-me mais que legítimo que uma mulher procure sempre o máximo de atributos positivos num homem. O que me faz uma certa confusão, é como a teoria pode muitas vezes ser tão bem estudada e tão mal aplicada. Acho que podemos desde já descartar a hipótese do homem perfeito ou do dito Príncipe Encantado. É um mito, um sonho ou até um pequeno devaneio de ocasião. Por muitas qualidades que um homem possa ter, é altamento improvável, senão impossível, que possa reunir todas as condições "exigidas" pela mulher. O grande problema está em que tanto para uma mulher, como para um homem, existir um equilibrio claro entre a condição física e a intelectual, é algo muito complicado. Com tão pouca experiência de vida, procuro sempre uma conjugação ideal e devo confessar que é algo que me vai tirando algum alento. Principalmente quando em todo este artigo, está, para mim, o principal problema das mulheres: pensarem de mais. Aquele complicómetro inerente que começo a perceber ter maneiras de actuar diferentes, umas mais subtis que as outras. Há uns tempos estava a ler um artigo na Elle, enquanto esperava para ir fazer uma massagem (o que é para mim um pouco melhor que uma tarde de jolas e tremoços ou um saco de boxe na garagem) e infelizmente (e estupidamente!) acabei por não rasgar a página ou até mesmo anotar a edição, o que confesso ser complicado só com um robe em cima. De qualquer das formas, esse artigo entrava um pouco na área do sexo e da relação homem-mulher, em como as mulheres tendem a procurar tudo e mais alguma coisa num homem e acabam muitas vezes por excluir aqueles que andam lá muito perto, mas que, por um pormenor ou outro, acabam por ser descartados. Acho que o que falta aqui é uma dose de bom-senso. Principalmente quando vivemos numa sociedade em que, na minha opinião, há uma falta muito grande de gente interessante. Não direi inteligente, dou o benefício da dúvida ao modo de expressão.
Não acho complicado haver um homem (e também uma mulher) com um leque muito grande de cartas para dar, quer seja em boa-educação, interesse, charme ou até mesmo no sexo. Mas essas coisas procuram-se, levam tempo e dão trabalho. E mais importante ainda e para uma pessoa que procura longas-relações, se quando entramos e não há escadas para subir e possivelmente cair, então mais vale deixar a porta fechada. Acho que deve ser um príncipio de vida.
É uma realidade triste, mas contornável. O problema é que esta luta vai continuar sempre para um leque de pensadores que acham que pensar muito é sinónimo de pensar bem. E não é.

In Maxmen, Setembro 2009